Uma pequena vírgula ...

« - Sim, sou vendedor de sonhos.

Confuso, Júlio César, por alguns momentos, pensou que o homem que estava diante de si fosse um vendedor ambulante. Ou um vendedor de ações da bolsa. Mas, com aquelas ideias, parecia impossível. Curioso, questionou-o:

- Como assim? Que produtos você vende?

- Eu procuro vender coragem para os inseguros, ousadia para os fóbicos, alegria para os que perderam o encanto pela vida, sensatez para os incautos, críticas para os pensadores.

Júlio César, num rompante de orgulho, lembrando-se do tempo em que se sentia um deus por ter vasta cultura académica, disse consigo: "Não é possível! Estou tendo um pesadelo. Acho que já morri e não percebi. Num momento eu queria tirar minha vida porque estava preso no novelo dos meus conflitos. Noutro, estou mais perturbado ainda porque estou diante de alguém que me resgatou e diz que vende o que é invendável. Vende o que todos procuram mas não existe nos mercados”. E, para sua surpresa, o estranho completou:

- E para os que pensam em pôr um ponto final na vida, procuro vender uma vírgula, apenas uma vírgula.

- Uma vírgula? - perguntou, confuso, o sociólogo.

- Sim, uma vírgula. Uma pequena vírgula, para que eles continuem a escrever a sua história.»

"O Vendedor de Sonhos" - Augusto Cury


AVANÇA! por favor...

:) não consigo dar título a algo que me saiu tão naturalmente

O telemóvel toca. Mais uma chamada, o mesmo toque, a mesma inevitabilidade de levantar e ir buscá-lo para atender. Quando olha para o visor, sorri, pega no telefone e avança com passos largos para um local mais calmo onde possa falar à vontade.

"Olá", diz melosa, a uma voz que cada vez mais gosta de ouvir.

A chamada não vinha por acaso, ele queria estar com ela. Depois de alguns dias sem se verem, a saudade apertou, mas ela disse que não podia. Não foi não querer, não podia simplesmente. Porque a vontade de estar com ele, de abraçá-lo, de agarrá-lo com toda a força que tinha...essa vontade era forte, e pensava ela, suficiente para querer que ele viesse ter com ele, naquele momento, agora, já.

Mas não foram essas as palavras que saíram. "Tá bem". Mas está mesmo? Sim. Ou julgava que sim. Mas quando os planos que fazemos não correm como esperamos, nada está bem. E esse "tá bem", era só o que ele queria que ela ouvisse.

Desligou. Entrou. E quis o destino que ela lesse um texto, que a deixou a pensar. Um texto que veio no momento mais oportuno de sempre.

No fundo, ela está a aprender a criar esse laço, que durante tantos anos, tanto lhe custou a construir *

Tão simples...

«Nem tudo começa com um beijo mas muita coisa acaba à velocidade de uma passa. Duas pessoas. A cidade. Um moderno mundo em que o que mais nos une também nos afasta.
E a magia acontece...»

Joana Céu